Manutenção na alta do juros mostra que ainda estamos enterrados na crise

Juros altos travam o país e jusitificativa do Copom não é plausível

O Brasil tem hoje a maior taxa de juros do mundo: 14,25% ao ano. Em julho, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve este valor pela 8ª vez seguida. É o ponto mais alto nos últimos 10 anos. O presidente interino afirma que o Banco Central tem total autonomia para definir os juros. Mas, sabemos que a tal autonomia está estritamente atrelada ao interesse dos bancos e do mercado financeiro.

juros-altos-como-aproveitar-o-cenarioA manutenção da taxa de juros nas nuvens é uma posição conservadora do Copom e mostra que o Brasil ainda continua enterrado na crise. A intervenção do estado na economia, com pegada forte nas questões macroeconômicas, nunca foi tão necessária.

“O termômetro para medir alguma mudança seria o afrouxamento da taxa de juros, mas até agora nada. Ou seja, continuamos na mesma de antes do impeachment”, afirma o presidente do Sindicado dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e da Força Paraná Sérgio Butka.

Especialistas dizem que os juros são extremamente altos para uma economia tão fraca. O Brasil, segundo eles, é o único país do mundo que mantém juros a patamares altíssimos mesmo com um encolhimento drástico do PIB pelo segundo ano consecutivo.

Apesar da taxa Selic estar altíssima e da permanente recessão econômica, a inflação continua muito elevada: 9%. Então, o que justifica mantê-la no topo?

Ao contrário do que pensa o Copom, alinhado aos interesses do governo Temer, baixar a taxa de juros ajudaria a destravar o setor produtivo e consequentemente a geração de empregos e renda. Contudo, para o Palácio do Planalto, a saída da crise passa por propostas de flexibilização dos direitos trabalhistas, de ampliação da terceirização e aumento da idade mínima da aposentadoria. Como se isso fosse salvar a economia nacional…